Pintado por um destro com duas mãos esquerdas
Sem o Menor Talento
"Um Brinde à falta de Habilidades"

domingo, fevereiro 13, 2005

O grito, o êxtase e o silêncio.

Na avenida, marchinhas de carnaval e gente comum. E, é claro, estudantes de antropologia, que de tanto ouvirem falar sentadas em cadeiras desconfortáveis, aprenderam a achar bonito.
Essa era a primeira vez que eu via esse carnaval, onde a multidão sem rosto vibra no refrão. Até mesmo aqueles em filas de banheiro, separados por uma vidraça do carnaval.
Meus olhos não conseguiam decifrar o código, meu coração já não se aguentava de euforia, contagiado pelo refrão em uníssono cantado pela multidão: "É hoje o dia da alegria".
Perfeito, nem o melhor dos poetas poderia colocar em palavras o sentimento sem nome que estava sentindo. Esperava preguiçosamente a volta dos únicos rostos conhecidos na multidão.
Só queria pular, cantar e amar. Quem? Nem sei dizer!
Descendo de encontro ao mais famoso bloco carioca, vendedores de bebidas e máscaras pulavam o trabalho. Era até dificíl se entorpecer de produtos feitos pelo homem. Melhor que qualquer cachaça mineira, era o carnaval. Melhor que qualquer bem. Maior que qualquer sentimento. Diferente de qualquer sentido. E ainda assim, simples o suficiente para ser apreciado pelo mais tolo dos seres.

"Quem não chora, não mama"