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Sem o Menor Talento
"Um Brinde à falta de Habilidades"

quinta-feira, janeiro 20, 2005

A Hora da Cesta.

Perdeu a noção do tempo depois do almoço. Talvez de tantos cigarros e bocejos provenientes do mesmo lugar. Só sai fumaça e entra ar. Tanto tédio que simplesmente perde-se o sentido pensar em alguma atividade. Só queria um lugar para fumar e bocejar, pra que algo mais?
Tanta coisa desprezível no mundo que o melhor lugar é mesmo aquele em que se pode desfrutar de um bom cigarro e um confortável bocejo.
Passa pela sua cabeça, apenas, a vontade de uma nova boca pra fumar e bocejar com ele. E, no meio disso, algumas palavras que fazem menos sentido que o tempo.
Não escuta sequer o tic-tac do relógio. A única vontade mesmo é a de comunicar seus pensamentos, mas não há ninguém a sua volta. Até mesmo um papel, para poder conversar sozinho, encotra-se muito afastado, e a idéia de procurar a conpanhia mais pálida do ser humano, que se encontra a menos de 20 passos de onde se encontra é um grande trabalho.
O único pensamento confartável é que levantar só serve para cansar o braço, e nada mais.
Somem as imagens em cores muito fortes, tons que não consegue distinguir. Parte pelo daltonismo, parte pela cerração dos olhos. Quem vê não sabe se está vivo, morto, acordado ou dormindo. Só se vê na mão um cigarro queimando. No banquinho em frente, um cinzeiro que não aguenta mais nenhuma bituca. Um copo de refrigerante, agora, ia ser a tudo. Mas ir até a cozinha não se encontra em seu planos.
Ah! Se tivesse alguém com ele pudesse conversar, talvez seu pulmão agradecesse. Talvez, seu corpo se movimentasse, fosse pelo menos no fato de se ajeitar no sofá.
Tanto calor. Tomar um banho. Fazer a barba. Falar ao telefone. Beber água. Qualquer coisa.
Olha pro relógio só pra cumprir tabela. Aqueles números realmente não dizem nada.
O cachorro late. Alguém em algum lugar coloca uma música. Que azar, ele odeia essa!
Na mesa do seu quarto existe um livro. Ótimo livro. Mas tá longe.
Tudo é longe. Tudo é cansativo.
Não vale a pena largar o cigarro e parar de bocejar.

"A Vingança Nunca é Plena, Mata a Alma e Envenena."